O Projeto de Extensão

DIVERSIDADE SEXUAL & COISAS DO GÊNERO
Programa de Extensão


1.  Caracterização

As questões sobre gênero e diversidade sexual vêm ganhando cada vez mais espaço de discussão popular nos últimos tempos. Entretanto, até chegarmos ao patamar de discutir-se sobre o assunto, houve um longo período de silenciamento e invisibilização de mulheres e minorias de identidade de gênero e sexuais que vêm lutando contra as causas e os efeitos que as diversas formas de opressão têm sobre estes mesmos grupos.
A partir da ideia de que as mulheres não são cidadãs de pleno direito, principalmente a partir da década de 60, surgem os “Women’s Studies” desenvolvido por mulheres acadêmicas com o objetivo de compreender as origens da dominação masculina e da inferiorização das mulheres na sociedade. Desde então os estudos de gênero têm se desenvolvido e influenciado os movimentos e Estudos Gays, Lésbicos e Transgêneros que passam de uma visão meramente integrativa em relação às democracias representativas ocidentais, para contestá-la num momento privilegiado de questionamento das relações entre saber e poder, entre universidade e sociedade. Emerge então um intelectual engajado, não só definido pelas questões de nação e classe, mas também de etnia e gênero.
Politicamente, a questão é como sair de um lugar específico e dialogar com o conjunto da sociedade. Dessa forma, tais áreas do saber vêm ganhando cada vez mais espaço nas academias perante a imprescindível contestação do pensamento hegemônico face as questões que envolvem corpo, gênero e a sexualidade humana, que são condicionadas por um pensamento tradicional pautado no fundamentalismo religioso ou na supervalorização de teorias que evocam o determinismo biológico como único fator responsável pela nossa condição humana.


2.  Objetivo Geral

Este grupo de estudos e debate tem por objetivo introduzir algumas noções gerais das teorias de gênero, corpo e sexualidade, problematizando formas de poder e de desigualdade que são socialmente produzidas como consequência das diversas formas de opressão nos planos simbólico e empírico das sociedades.
                                                         

2.1.       Objetivos Específicos


Pretende-se que o participante após as leituras recomendadas e discussões feitas durante as reuniões sejam capazes de:
a)  Compreender e problematizar a relação entre corpo, sexo, gênero e sexualidade;
b)  Identificar as relações sociais de gênero, os valores associados à sexualidade, bem como os processos e instituições sociais responsáveis pela sua (re)produção e compreender de que modo suas transformações têm contribuído para processos de mudança social e política mais vastos;
c)  Identificar e conhecer as principais abordagens acerca da relação entre corpo, gênero e sexualidade;
d)  Elaborar e executar ações (acadêmicas, artísticas, sociais, etc.) no âmbito dos Estudos de Gênero e que visem promover a igualdade, a tolerância e respeito entre pessoas, relativamente à diversidade sexual e identidade de gênero.


3.  Justificativa

  Sabe-se que na sociedade são cometidos diversos abusos contra mulheres e minorias sexuais e que consequentemente são colocados à margem por estas ações. Ainda hoje, após tanta luta, mulheres são vítimas de relacionamentos abusivos, no mercado de trabalho recebem menos do que homens para exercer uma mesma função, são minoria em diversos espaços públicos e privados. Além disso, vê-se uma grande falta de representatividade política que defenda seus interesses por igualdade de gênero e liberdade sobre seus próprios corpos. Muitas situações pelas quais as pessoas LGBT+s também sofrem no dia-a-dia, e que vão desde a humilhação e constrangimento público, expulsão de espaços privados, até mesmo a agressões físicas, simplesmente porque suas orientações sexuais e identidades de gênero não seguem os padrões impostos pelas instituições de poder.
Assim surge a ideia do projeto do grupo de estudos e debate sobre gênero e sexualidade, justamente pela importância em se falar sobre tais temas, promovendo a reflexão através da problematização e desconstrução de valores que podem ser prejudiciais a certos grupos sociais discriminados e marginalizados.


4.  Métodos e Procedimentos

O grupo de estudos terá como instrumentos de estudo, incialmente, textos, que serão disponibilizados por meios digitais semanalmente pelo coordenador e organizadores, com temáticas relevantes da área de gênero e sexualidade. A cada encontro pretende-se que o texto previamente em causa seja brevemente exposto e, após sua exposição, que se iniciem reflexões e discussões críticas relativas às ideias apresentadas. Dessa forma, em cada reunião haverá alguém convidado a dialogar com o grupo, sempre com a supervisão de pelo menos um professor/servidor/convidado familiarizado com o tema para mediar as discussões e, se necessário, sanar dúvidas que possam surgir.
É de interesse do projeto, para além da parte teórica, que se forme um coletivo para elaboração e execução de ações e intervenções (artísticas, sociais, acadêmicas, etc) junto à comunidade acadêmica e exterior a ela, para mobilizar e conscientizar os estudantes sobre as questões estudadas no âmbito do projeto que são:
· O gênero enquanto construção social;
· Histórico temporal e geográfico dos estudos de gênero;
· Movimento LGBT+ e os Estudos Queer;
· Representação de gênero e de pessoas LGBT’s na mídia e literatura.

Fica também a critério do coordenador e organizadores do projeto em diálogo com os participantes a criação de um blog em uma plataforma gratuita para divulgação dos textos estudados, obras, resenhas, análises, vídeos, músicas ou qualquer outro tipo de material produzido pelo grupo ou por terceiros que seja pertinente às temáticas estudadas.


5.  Resultados esperados

  Espera-se que a partir deste grupo a comunidade acadêmicacomece a pensar e a discutir as questões de gênero e sexualidade e que assim, também, abra espaço para que questões envolvendo outras minorias sociais conquistem seu lugar de protagonismo, de forma que os estudos de gênero e sexualidade vão além do campo sociológico. Trata-se de uma área intersecional, ou seja, revelam como diversas características biológicas, sociais e culturais — como gênero, raça, classe, orientação sexual, deficiência física e/ou mental, idade, tipo de corpo, religião, nível escolar e outros eixos de identidade — interagem em múltiplos e simultâneos níveis.
  Dessa forma, a importância da repercussão de tal grupo é muito grande, tendo ele o potencial de atingir proporções enormes junto à comunidade acadêmica, sendo assim possível repensar a forma como a instituição acadêmica, seus membros e demais cidadãos envolvidos na comunidade que interage com a universidade portam-se perante as diversas formas de opressão às minorias que já são silenciadas e invisibilizadas em diversos níveis pela sociedade. Potencializando a participação e eficácia dos acadêmicos na luta contra as formas de opressão dentro e fora do ambiente acadêmico, o debate promovido pelo grupo tende a aprimorar os processos de revisão acerca de quem somos e como agimos diante da diversidade.

  Prevê-se um mínimo de dez participantes e um máximo de sessenta pessoas.


6.  Recursos financeiros, humanos e físicos e equipamentos disponíveis

  O grupo de estudos e debate decorrerá nas dependências da UTFPR –Câmpus Pato Branco.
  A equipe organizadora será formada por Gisele Giandoni Wolkoff, Rafael Alves de Almeida, Maurício Mezzomo e Géssica Aparecida Cappoani.
  Para que os encontros possam ocorrer com maior dinâmica será necessária uma sala com projetor digital, um computador e caixas de som, para a reprodução de  material audiovisual.
  Caso seja necessário, para atrair público e visibilidade à alguma ação específica do grupo, tal como evento, ou intervenções públicas, pediremos apoio para divulgação nos meios de comunicação institucionais da UTFPR, Câmpus Pato Branco.


7.  Riscos e Dificuldades

Vê-se o risco de uma evasão de participantes durante o projeto que demanda uma certa dedicação e abertura para temas que poderão ser polêmicos e que entram em conflito com crenças religiosas, ou que desafiam e contradizem algumas afirmações feitas pela ciência tradicional pautada no determinismo biológico na formação do indivíduo.
Vê-se também a possibilidade do grupo virar alvo de discriminação externa por conta dos temas tratados, tais como feminismo, homossexualidade, bissexualidade e transgeneridade, inibindo a participação de alguns alunos.


Justamente para contornar tais dificuldades e riscos, originar-se-á um coletivo, de participação facultativa, mais disposto a se expor perante a comunidade acadêmica. Quanto a evasão por possível demanda de trabalho, é prevista a alternância das referências bibliográficas com as audiovisuais, havendo assim um esforço para fazer com que os encontros sejam momentos mais descontraídos do que as aulas meramente expositivas. Sendo este um momento de expressão e fala de todos, sem que haja julgamentos de ordem discriminatória ou opressora, pretende-se criar um espaço de diálogo e reflexão. 

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